"A inteligência é feita por um terço de instinto - um terço de memória - e o último terço de vontade." (Carlo Dossi)

"É necessário que os princípios de uma política sejam justos e verdadeiros." (Demóstenes)












sexta-feira, 25 de março de 2011

Denúncia!!! Computadores de programa do Governo Federal parados a mais de 1 ano.






















Na Biblioteca Pública Municipal de Unaí, órgão subordinado à Secretaria de Cultura, encontram-se sem utilização apropriada 11 computadores completos (monitor tela plana) da marca POSITIVO, entregues ao município com recursos do programa GESAC. O programa foi criado em 2008 pelo governo federal através do Ministério das Comunicações e oferece "gratuitamente ferramentas de tecnologia da informação e comunicação, especialmente conectividade, recursos digitais e capacitação para multiplicadores, em todo o território brasileiro, por meio de uma plataforma de rede, serviços e aplicações, para promover inclusão digital e ações de governo eletrônico."
_Um ano e meio.
Esse foi o tempo que o diretor da biblioteca Edson Oliveira Frazão estimou encontrarem se ali sem possibilidade de uso os 11 computadores. Indagado a respeito do motivo de não estar ainda em pleno funcionamento os pc's, alegou que a alimentação da fonte de energia não é suficiente. Frente ao informado fui ter com a secretária de cultura Creonice Leitão a fim de perscrutar que objetivo atraía incompetência tão explícita.
Os telecentros facilitariam o acesso aos equipamentos conectados à Internet; a inclusão digital é um processo de democratização e um direito garantido. As ações de governo eletrônico visam ampliar discussões e dinamizar a prestação de serviços públicos com foco na eficiência e efetividade das funções governamentais.
O motivo para o não funcionamento, ainda, disse-me a secretária Creonice, era o mesmo alegado pelo diretor da biblioteca, a energia, e a razão -menos justificável impossível- para a protelação na providência imediata desse problema seria a mudança da biblioteca para um espaço maior, local onde já se encontraria todo suporte para receber as máquinas. Estavam à procura de um imóvel para a sede nova.
A eficiência é um princípio básico, obrigação de qualquer ente público, o contrário deste é esta morosidade insidiosa, a Administração Pública não vinga sem a eficiência. Ser menos protelativo é agir sem que contraposições pessoais ou individuais interfiram na ação. Ao servidor público é necessário que se dedique a interferir em prol do desenvolvimento de sua sociedade, dos seus, não se valer de atitudes contrárias baseadas no descaso com o patrimônio e desperdício do erário público.
Cabe-nos observar o inciso V do art 6º da NORMA Nº 02/2008 - NORMA GERAL DO PROGRAMA GESAC que deixa claro uma das competências acometidas à Instituição Responsável pelo programa, qual seria assegurar, direta ou indiretamente, a infra-estrutura necessária, bem como a estrutura organizacional local para o perfeito funcionamento do Ponto GESAC.
O que ensejo com brevidade pacífica é que seja saneado o vício...

domingo, 6 de março de 2011

Saudade sem fim...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Desperta Unaí, cidade antiga...

Tens raiva do prefeito,
Mas prefere o silêncio.
Pensas tu de um jeito
Diferente do que penso...
Eu não tenho a raiva
Que amofina a razão,
Minha pena é brava
É não ver solução
Pros que estão cegos,
Pros que estão mudos
(Convenientemente)
Veem covardemente negam
Se falam, surdos os ouvem...
Mudará talvez de nome
E talvez tua densidade
Sabe o que te consome
A passividade comodista
Que herdam ainda seus filhos,
Os Cativos da mão fascista.
Antes da soja, do milho
Ou qualquer semente...
Cidade bêbada, nunca acorda
És da cultura acaso inimiga
Cidade que ainda segue moda
Desperta Unaí, cidade antiga...
Cidade sem cinema,
Logo, sem críticos.
Sem teatro de verdade,
Logo, sem a expectativa
De ter a casa lotada...
Não serei um visitante seu,
Que sequer cogito abandoná-la.
É mais fácil o final meu
Em combate, que matarem-na.
Não sem dizer e fazer algo.
Estou falando contigo Unaí,
Com seus desnaturados
Filhos que não te respeitam
O confronto mais tarde
É com sonhos frustrados...
A ausência de equilíbrio
Nos cambaleia, eu bem sei.
Unaí não és pequena
Estás na flor da idade
Tantos mil habitantes
Cabeças ensimesmadas
Cérebros escaldantes
Corretores na praça
Apatia desesperada...
Sabem da evolução,
Não evoluem nada...nada.
Passarão batidos
Pela vida desperdiçada
No não sentir
Na cabeça atrapalhada
Sem dormir...Tarde demais!!!
Não, ainda não, há tempo
De mudar o jeito de pensar
De agir n’algum momento
Eu acredito nesse despertar,
Tu Unaí, não me desapontes
Para de sonhar...Para...
Evoluir sem se destruir
Proteja tua serra, teu cerrado.
Incentive sem impor
Proteja as tuas águas
Limpe teu Rio Preto
Enxugue tuas mágoas,
Bata forte no peito,
Exalte o teu valor.
Saiamos desse torpor
Acorda cidade antiga,
Acorda...acabou...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

história da mudança

Como se faz a história da mudança
Começa com a força de um gigante
A serenidade altiva d'uma criança
Isso porém não se dará o bastante
É necessário que queiras sabedoria
Mais do que ostentações materiais
Solidariedade contra fria antipatia
Que tens pelos seus irmãos iguais
É preciso plantar muitas árvores
Volver montanhas de cadáveres
Experimentar o pouco sem preço
Saber que a mudança é o começo
A mudança, metamorfose infantil
Única constante, teorema senhoril
Começa cedo na prece daquele Che
Desde que Marx lhe inflamou o ser
Começa com Jesus em seu Calvário
No Príncipe, em Quixote, seu cavalo
Num Tiradentes, insurrecto coração
Que mudou a história, perdeu o chão.
"Nós somos a mudança deste mundo"
Comecemos logo, comecemos juntos.



domingo, 5 de dezembro de 2010

CONTOS DAQUI

Como não sabia o destino que seguiria, partiu rumo ao leste. Na hora em que começou a arrumar a mochila, duas alças numa calça de brim batida, pensou na mãe principalmente e em todos os desgostos que a dera, não tinha certeza se devia mesmo deixá-la antes de tentar uma redenção, sabia que existe o risco de, caso volte, a mãe ter partido pro sempre, já andava muito reumática com os pulmões massacrados pelo tabaco, seu inseparável algoz, nem o doutor ameaçando a convenceu. Uma certeza era a de que aquela cidade já lhe cansava as têmporas e a gota d'água lhe afogou num descontentamento e desesperança levando o a esta partida repentina, mas pensava na mãe ao jogar as camisas na mochila. Os dois viveriam a míngua social numa cidade sem oportunidades para quem não anseia o sucesso nem vislumbra o enriquecimento a qualquer preço. Escraviza os seus semelhantes com jornadas de trabalho penosas, salários nunca justos, política imperativa, não cumprem leis trabalhistas básicas; e uns muitos que alegam necessidades se submetem a esse ritmo de subserviência. Cansou de tentar abrir seus olhos, também suas necessidades amadureceram no tempo. Vai pro mundo, aqui ele seria condensado pelo marasmo dos ignorantes que desrespeitam a própria cultura e travam disputas diárias pela sobrevivência débil. Uma cidade sem cinema e nem teatro; sem consciência ambiental, destroem seu cerrado e grutas pela simples especulação pecuniária. Bastou para ele. Bastou a política da elite, o falso moralismo desses hipócritas.
Alçou os ombros, disse fica com Deus à mãe que já chorava ao abençoá-lo. Abraçou a enquanto pensava nos desgostos que a dera novamente, ao menos esse seria o último, confortou se e partiu rumo ao leste.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Processo seletivos em Unaí, posse só no meio do ano!!!

Sobre o concurso público, digo, o processo seletivo a Prefeitura Municipal de Unaí esclarece o seguinte:

Processos Seletivos Anulados
Saúde, Social, Juventude e Cadastro Único

A Administração Municipal de Unaí informa que os Editais do Processo Seletivo Simplificado estão sendo enviados ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) para análise do órgão.

A ação visa atender a Instrução Normativa 005/2007 do TCE e sua modificação 008/2009.

De posse dos Editais, o Tribunal terá um prazo de 60 dias para se manifestar, período após o qual a Prefeitura de Unaí poderá abrir o Processo de Licitação.

Tendo em vista o prazo do TCE, a Administração Municipal prevê para janeiro ou fevereiro de 2011 a realização do Processo Licitatório, com vistas à contratação da empresa que realizará o Processo Seletivo Simplificado.

Secretaria Municipal de Administração
Outras Informações::
Secretaria de Administração
semad@prefeituraunai.mg.gov.br
(38)3677-9610 Ramal 9058


terça-feira, 2 de novembro de 2010

V Rock Festival-Você já me viu morto?

" Você já me viu morto? "
O questionamento célebre supra citado é da vasta criatividade de uma figura cujo apelido, Nóia com Patas, descreve a temperança mental do mesmo. Hoje nem tanto, mas o Nóia já esteve sim em vias de E.Q.M. (Experiência Quase Morte), em vezes, eu diria que ele realmente estava morto: ao chão e bêbado sem forças pra se levantar. Eu o vi morto, ele já me viu morto várias vezes também, nós dois compartilhávamos de vícios que por vezes nos derrubavam sem chance de defesa. O Nóia com Patas não é da minha intimidade fraterna, mas é um amigo que considero, nunca tendo o desejado ou feito mal nenhum e acredito no recíproco.
Esse cidadão de que falo, meu amigo, não ouve Rock and Roll nem compreende nada quando ouve por acaso AC/DC ou Nirvana. Este é só um exemplo, dentre muitos outros de jovens, adolescentes e carcamanos que nunca foram influenciados pela cultura da musica e tiveram suas vidas marcadas pelo uso exarcebado de psicoativos, no caso do nóia: merla e álcool.
Por que estou falando do Nóia com Patas?
Ah!
Dia dos mortos e Rock sem Drogas.
Se tivessem dito isso no Woodstock talvez hoje não houvesse o crack, aliás, se não existisse o rock não existiriam as drogas e nem os drogados. São um bando de maconheiros, vagabundos, noiados; os fãs e os músicos, uns por imitação ao glamour que o ídolo aparenta e esses por saberem quão falso é o glamour. Mas não é todo músico de rock que é drogado não, e o axioma do silogismo se completa no: não é todo drogado que é musico. O mesmo vale para os fãs. Ou você pensa que o Nóia toca ou compõe algo?
Nossa juventude não usa drogas porque ouve rock, eles nem sabem o que é, não estão com os interesses voltados para o compreendimento do que é a essência do rock enquanto movimento de comunicação reacionária que sucumbe aos tempos. Eles usam drogas por que encontram se incompreendidos num mundo de mentiras e falsos dogmas tradicionalistas. É o mesmo motivo que os fazem se destacarem em meio à multidão com suas calças amarelas e óculos vermelhos.
A incoerência de atitudes daqueles que eles tomam como exemplos causam neles conflitos que perturbam suas mentes e os deixam frágeis e à mercê da desvalorização dos seus princípios ininteligíveis.
Atitudes como a de hastear uma faixa em letras garrafais com o slogan ROCK SEM DROGAS e no mesmo palco influenciar o consumo de bebida alcoólica, favorecendo ainda uma marca, deixa na cabeça, não na de quem ouve o rock, digo na cabeça desses adolescentes um trauma de interesses. Por que ele sabe que o álcool também é droga, e se o álcool está liberado, tudo está. Foi o idiota ali que falou.
Essa incoerência que Cazuza traduziu bem em: "Tuas idéias não correspondem aos fatos" permeia as ações de uma grande maioria de pessoas, que seriam responsáveis pelo desenvolvimento da nossa cultura, seja musical ou total, pro meu prazer.
Vamos deixar de hipocrisia, se em todo show de rock eu tiver que ouvir isso. Eu é que vou parar de usar rock todo dia e usar crack. Chega!!! Abra a cabeça e expanda sua mente. O Rock and Roll não é mais o reduto dos drogados, se foi um dia.
Locutor chato.
Patrocinadores chatos.
Agradecimento especial ao Antério Mânica>>>MEU OVO
Sobre as bandas, nada à declarar.
Obrigado São Pedro e feliz dia dos mortos.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Greve em Unaí e o Ex Drogado

Biiicho, hoje resolvi descer ao centro e o Ex Drogado resolveu acompanhar-me, ele sempre faz isso, mas na maioria das vezes eu volto e coloco ele pra dentro, hoje eu não voltei e ele foi comigo para o centro, sem coleira como de praxe. Eu confio na docilidade do meu cão que não é violento nem ameaçador em momento algum. No entanto assumo que ele deveria usar uma coleira, mas devido eu tê lo encontrado rapazinho já, alguns hábitos ele nunca abandonará e um deles é a liberdade de locomoção.
No centro, lembrei me de que haveria mais uma manifestação dos grevistas municipais e que seria na câmara municipal. Como sou uma pessoa que demonstra interesse pelos assuntos relevantes para minha comunidade e para mim, decidi dar uma passada para ver se acontecia algo de interessante. Não é de ver que aconteceu bicho.
Ao chegar no palácio municipal percebi que o plenário estava cheio e havia alguns manifestantes do lado de fora e dentre eles um cidadão, servidor público, motorista do transporte escolar. Esse manifestante portava uma 'vuvuzela' barulhenta de ar comprimido manual e ao avistar o E.D. esse cidadão apontou o instrumento para o meu cachorro e deu uma buzinada que o assustou e o fez remeter à Avenida quase sendo atropelado. Não tomei nenhuma atitude a não ser a de cumprimentar o idiota para ele perceber que o cachorro era meu. Eu o conheço, chama-se Adão Rodrigues e mora próximo à minha casa, todos os dias passo pela sua rua, às vezes com o cachorro. Ou ele é um débil mental ou estava realmente querendo que o E.D. fosse atropelado, pois continuou com aquelas buzinadas na direção dele e de mais um, esse de rua, que apareceu por ali. Eu já estava indo embora, quando ele desferiu mais um golpe ensurdecedor assustando o cão de rua e o mesmo não morreu por que era bom o freio do carro que iria atropelá-lo. Não me contive, voltei e solicitei o objeto da mão desse baderneiro e tentei quebrá-lo como um graveto na coxa mas não consegui e arremessei o mesmo na Avenida. Um partidário do barulhento disse alguma coisa e eu só lembro que disse que se o cão tivesse sido atropelado seria pior para ele.
Fui embora e indo pensei várias coisas, inclusive de que eu poderia ter sido linchado alí por aquele sujeito e mais seus amigos. Se isso acontecesse nada tiraria de mim a razão de estar defendendo meu cachorro e ainda defendendo um cão de rua de uma maldade. Não, não bateria nele por isso, não por isso, não prego a violência quase nunca.
O que falta para que esses manifestantes atinjam seus objetivos e tenham suas pleiteações atendidas é ATITUDE.
Ao sr. em questão, o maltratante de animais, queria dizer para que ele reveja suas ações, tanto como partícipe de uma manifestação de classe e como ser humano. Que ele lute pelos seus direitos de forma digna, legal, atuante e principalmente sem esquecer do respeito aos demais.
Só por isso eu não apóio mais a greve.

sábado, 9 de outubro de 2010

Greve em Unaí

Quarta feira ao andar pelas ruas do centro da cidade acompanhei uma manifestação, diria calorosa, dos servidores públicos municipais da área da educação, da saúde e funcionários do SAAE. Um caminhão parecido com um trio elétrico na cor vermelha arrastou um bando de indignados com os baixos salários e condições de trabalho insatisfatórias dentre outras reivindicações totalmente legais.
Vi me diante de uma inédita cena e aquilo não deixou meu sentimento de indignação inerte, era justamente esse um momento que eu não queria deixar de ver acontecer em Unaí, o instante de revolta dos professores que têm um teto miserável e um piso aos cacos; a revolta dos garis, ou como disseram lá ao microfone: o pessoal da 'barreção'; a insatisfação dos servidores da saúde que não recebem bem, alguns não são estáveis e ainda o estresse de um sistema corroído pela burocracia politiqueira.
Acompanhei o final da manifestação, quando os servidores inquietos aguardavam na prefeitura municipal a descida do prefeito que segundo alguns estaria em seu gabinete. Um dos porta vozes da massa enfurecida (exagerei) bradava ao microfone do carro de som ali estacionado quão massacrada tem sido a lida dos servidores públicos da educação e da saúde e quanto tem sido grande o descaso dos gestores no sentido de melhorar a situação dos mesmos. Reiterou que estavam alí dispostos a discutir os pontos que motivaram a paralisação e que segundo o mesmo se estenderia na forma de greve até que fosse solucionada as pretensões dos servidores. O que se ouvia era um apitaço e gritos de ordem vindo da multidão. Foi solicitado ao microfone que os presentes assinassem uma ata como prova do comparecimento dos mesmos e um documento a mais para mobilizar o prefeito.
Um louco chauvinista puxou o hino nacional que todos cantarolaram, as duas partes inclusive com os erros de sempre. Fruto de uma educação defasada. No entanto senti uma enorme satisfação ao ver cumprir esses ritos de revolta alí na minha frente. Após o hino algum dos servidores, até suado e vermelho de insatisfeito veio ter ao microfone aquelas palavras de clamor popular e o que me chamou a atenção foi o fato de ele ter citado um outro servidor, cujo nome preservo, e dito que o mesmo teria tentado coagí-los a não participar do ato. Um porta voz dos servidores tambem disse que o secretário da educação teria feito o mesmo dizendo aos servidores que seriam cortadas algumas gratificações do seu salário caso comparecessem .Isso é uma vergonha secretário, na sua vida como professor você não aprendeu o sentido da luta contra a opressão dos grandes.
O prefeito não apareceu e o microfone disse que sexta feira haveria nova reunião na praça e que os mesmos deveriam permanecer em suas casas até que houvesse um acordo entre as partes. Ainda observei os comentários dos presentes, cuja insatisfação maior realmente eram os salários baixos.
Observei a fila onde se assinaria a ata e não animei, mas vi alí alguns de meus colegas de serviço de cinco anos atrás. Eu trabalhei no SAAE durante mais de dois anos e desde meu primeiro dia de serviço alí eu percebi que havia uma certa repressão vinda da chefia. Funcionáros que ocupavam cargos efetivos tinham medo de serem mandados embora. Nada era feito em benefício dos funcinários, pelo menos pros mais subordinados, o funcionamento era semelhante à uma empresa privada, onde o emprego escolhe você. Eu não aceitaria tal sistema de forma alguma. Tentei erguer a mão contra a administração, eu e mais alguns colegas da época. Nenhum deles trabalham mais por lá. Tentamos, mas esses medrosos aliados aos acomodados impediam que fosse feito o essencial para uma reforma, o contingente. Éramos poucos e fomos perseguidos e assediados moralmente até o ponto de solicitarmos a exoneração do cargo para a felicidade de todos. Alí naquela fila não havia nenhum chefe de nenhuma seção do SAAE. Claro que não.
A revolução veio. Tarde? Acho que nunca é tarde para tomarmos as melhores providências para a nossa vida e para que a vida dos outros sejam tão melhores quanto a que queremos ter. Pense coletivo.
P.S. Eu não gostei de ter ido à Biblioteca Pública na sexta feira e a mesma encontrar se fechada. É necessário justiça e sensibilidade. Pensar coletivo é praticar solidariedade.



Rock festival, independência aos mortos.

Falta de informação por aqui é o que não falta. Ano passado, lembro-me bem, era a discussão em torno da não realização do evento no dia programado devido a possibilidade de um surto epidêmico por causa da gripe suína. Isso era o que estava causando alarde (revolta) principalmente nos corações da nossa juventude unaiense, uma juventude sedenta por diversão que não seja o Itapoã e seu forró ou similares e nem o horror sonoro automotivo dos "LUAIS" que a playboyzada por aqui tanto aprendeu a venerar, o que não presta eles assimilam rápido.
Temos raras oportunidades para podermos acompanhar de perto o desenvolvimento de nossos artistas. Nós tambem temos nossos Restart's e queremos dar a eles a oportunidade de poderem mostrar seus 'trabalhos' e se desenvolverem, e o espaço que eles encontram é naquele palco colocado na praça da prefeitura no dia do aniversário da cidade quando vários gêneros musicais se apresentam e no dia simbólico de 07 de setembro quando ocorreria o Rock Festival. Independência ou Rock lembra?
No ano passado fingimos acreditar que estariam cumprido uma norma federal e que não seria possível a realização do evento aquele ano no dia programado. Beleza, revolta sob controle. Mesmo assim surgiu o "Independência ou Gripe", texto de meu amigo Henrique Rodrigues do Yeahnoroeste repudiando a atitude ou a falta de atitude de certos diante do que acontecia. Por causa de um simples comentário expressando meu apoio ao que continha o texto fui chamado de crápula e sofista, nomes que adotei como aulguns de meus pseudônimos sem rancor a quem os proferiu. A invectiva sobre minha forma de pensar não me deixa tranquilo, porém não me assusta quando advém de um certo grupo de pessoas cujo descompromisso com as causas realmente coletivas já sucumbiram ante a esbravejação individual seja por capital ou por ego excessivo.
Esse ano não poderia ser diferente, depois de várias datas e bandas serem confirmadas ao acaso ainda naufragamos num mar de repostas vagas. A organização, se há uma, não esclarece nada e ainda fica fazendo provocações de bastidores em vez de dar uma solução definitiva ao que ocorre. Quais bandas virão e em que dia acontecerá o Rock festival?
Não queria atacar pessoas, não queria julgar pessoas, não queria ferir pessoas com palavras. Mas não concordo com a forma como são geridos os recursos destinados à cultura nessa cidade. Eu sei que o Fabrício(merlinha) entende pouco ou nada sobre gestão de recursos públicos e que nada tem a ver com o destino dos repasses das verbas dessa secretaria de cultura, ano passado não havia uma. Há sim uma verba que é passada para essas pessoas que estão à frente da organização dos projetos considerados culturais, caso do evento, e existe ainda um montante oriundo dos patrocinadores ou apoiadores culturais, conforme o caso. O patrocínio que se vê nas camisas, cartazes e aquele falatório no microfone de nome de empresas no decorrer do evento é uma forma de divulgação e de fazer a propaganda do nome dos mesmos e eles pagam por isso, pelo menos deveriam pagar. O que não pode é ficar a realização do evento condicionada a esses patrocínios, principalmente na última hora.
Segundo Octávio, músico unaiense, o Fabrício (merlinha) teria falado que no ano passado ocorreu o evento porque o mesmo havia desembolsado dois mil reais em dinheiro. O Fabrício disse que tirou do próprio bolso o dinheiro. Tamanha indignação do líder da Jamming Zone, que no ano passado esteve com a organização, é compartilhada da minha tambem, por que eu tive que ficar ouvindo à todo momento o slogan "Calce Charm, a loja que calça você" naquela caixa de som, além de outros que eu pensava fossem os patrocinadores. Eu pensava que fossem eles que contribuiram com a prefeitura e os organizadores para a realização do evento, não uma pessoa, não aquela pessoa. Interesse coletivo lembram?
Queria dar uma informação concreta, careço de fontes, então na tentativa de mantê-los a par do evento digo o que soube por último por fontes não muito fidedignas. Haverá a apresentação de cinco bandas, sendo duas do DF , além de Verenna, Radiografia tambem tocará e a data do evento será no dia 1° de novembro, véspera do dia dos mortos. Isso é só o que sei infelizmente.
Adiantando insultos esse crápula agradece a todos.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Vote certo

Você ainda não decidiu em quem votar? Temos um problema amigo, estamos próximos do dia da eleição e era esperado que sua escolha tivesse sido feita há semanas. Não quero apressá-lo pois creio que tal demora deve se ao fato de estar você, eleitor consciente, à procura da melhor opção:

*O mais honesto ou menos desonesto
*O mais sincero ou menos dissimulado
*O mais solidário ou menos egoísta
*O mais experiente ou menos calouro
*O mais preparado ou menos despreperado
*O mais revolucionário ou menos conservador
.
.
.
Certo amigo é que seja qual for a sua escolha ela interferirá na vida de milhões de pessoas, inclusive a sua. É o futuro de um país que está em jogo, o futuro de um país e suas crianças, jovens, idosos, mulheres e homens brasileiros.
Pense no futuro, vote certo.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Penso, logo existo

O pensamento é a existência,
Ou o existir faz pensar
Pense nesse instante
Quem não pensa existe
Ou o quê
Eu com meus neurônios
Construo, destruo
Pensamento, sonhos
Mente inquieta que atribula-me
Todos os segundos me come
Absorve me em sinapses
Catástrofes cerebrais
Penso, existo, resisto
E não descarto mais
A vida em essência
Inconstante de existir
Governa-me ciência
Enquanto puder ser eu ser.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Os ditadores e as ruas de Unaí

Biiicho, de 15 de abril de 64 até 15 de março de 67 o Brasil esteve nas mãos de seu 26° presidente, não preciso grifar que era um militar, pois dizer 1964 significa apertar o play no sentimento de revolta contra todo um regime de boçais covardes brincando de guerra e matando semelhantes. O que chamam uns ditadura. Em 1964, não muito distante de hoje, torturavam se pessoas inocentes, presenciava se cenas cruéis de castigos violentos ao extremo como salgar os olhos, e em muitos casos sumiam com as vítimas. Até hoje existem desaparecidos daquele tempo. Os responsáveis por tudo isso eram os militares. Não digo que era o Exército ou a Marinha nem a Aeronáutica, eram os militares, os homens que vestiam o uniforme àquele tempo. Aqueles militares eram os monstros da época com seus ideais voltados para a prática desumana de seus métodos coercitivos, o atropelamento de tudo que fosse contrário ao pensamento militar. Naquele tempo o pensamento militar distanciava se da democracia, vivia se em estado de guerra permanentemente. Nesse período o homem à frente todas as atrocidades que marcaram pessoas, famílias e porque não um país inteiro. Aquele homem, que eu não anistiei, seus soldados o chamavam Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco. Vejamos alguns de seus memoráveis feitos:
Após as eleições parlamentares e para governadores de outubro de 1966, tendo o Congresso Nacional sido fechado pelo AI-2, o Presidente da Câmara dos Deputados, Adauto Lúcio Cardoso, manteve o plenário aberto, em desafio ao ato ditatorial. Diante da resistência, Castelo Branco ordenou a ocupação do Congresso Nacional, ordenando que o coronel Meira Matos comandasse a tropa do Exército que invadiu e fechou o prédio. O Congresso após o recesso foi reaberto e aprovou nova Constituição de 1967, que institucionalizou o regime militar.
Seu ministério era formado por um elemento da chamada "linha dura" do exército Costa e Silva, e especialmente por antigos componentes do tenentismo e participantes da revolução de 1930 como Cordeiro de Farias, Eduardo Gomes, Juraci Magalhães, Juarez Távora, Ernesto Geisel e o próprio Castelo Branco. Fizeram parte do ministério políticos apoiadores do golpe militar de 1964, como José de Magalhães Pinto. A economia ficou sob o comando da dupla de economistas liberais chamada de Campos-Bulhões (Roberto Campos e Otávio Gouveia de Bulhões).
O Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), as ligas camponesas e a União Nacional dos Estudantes (UNE), foram algumas das instituições atingidas pela política de repressão ao comunismo desencadeada pelo governo militar. Algumas das principais lideranças pró-comunismo do país foram presas, torturadas e enquadradas na Lei de segurança nacional e responderam a Inquérito Policial Militar (IPM). Também empresários foram investigados. Foi o caso dos donos da Panair do Brasil, a maior companhia aérea do país, na época, que teve a sua licença para voar cassada e o patrimônio temporariamente e depois permanentemente confiscado porque o grupo acionário, segundo as justificativas apresentadas pelo governo federal, era ligado a líderes comunistas e a Juscelino Kubitschek". Na verdade, a intenção do governo seria destruir a Panair do Brasil para entregar suas linhas e parte de seu patrimônio à Varig, cujo dono, Rubem Berta era amigo e apoiador de alguns elementos ligados ao regime militar.
Em fevereiro de 1967 foi decretada a Lei de Imprensa, cuja finalidade era controlar o fluxo de informação na imprensa nacional, assim como regular o trabalho dos jornalistas que trabalhavam nestes veículos. A lei continuou a ser válida no Brasil mesmo depois do fim do regime militar em 1985, sendo finalmente declarada nula por ser incompatível com a Constituição de 1988 pelo Supremo Tribunal Federal em 2009.
Em outubro de 1965, foi baixado o Ato Institucional Número Dois que dissolveu todos os partidos políticos, e impôs o bipartidarismo de facto com a criação da Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e do Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Apesar de ter feito algo (não nego) para o desenvolvimento do Brasil, creio que um cidadão que esteve naquela época investido de poder não poderia ter sido tão omisso ou cruel em seu cargo. Esse crápula sanguinolento dá nome à biblioteca pública de onde digito este texto e de uma rua por onde passo quase todos os dias. Compartilho do pensamento de que aquela rua poderia ter o nome, número, hieroglifo, ideograma, símbolo que fosse que isso não afetaria meu modo de ser. Mas existem pessoas que acreditam que os nomes de ruas devem homenagear pessoas boas que de certa forma contribuiram para uma melhoria da sociedade. Para meu sentido de cidadão é vergonhoso a falta de coragem por parte de alguns não mudarem o nome dessa rua e de outras que por existirem com o nome de ditadores desvirtuam a história embaçando a realidade dos fatos mascarando a vileza desses anistiados por outrém.
Compreendeu, é isso então!
Fonte: Wikipedia

terça-feira, 7 de setembro de 2010

__Cuidado, você não precisa morrer II

Cheguei em casa assustado, claro, afinal não havia frieza nem tranquilidade que resistisse ao acontecido naquele dia. Na cama ainda pensava no que levaria um reles cidadão comum feito um Jó que nem eu ser ameaçado. Agora eu tinha certeza que se tratava de uma ameaça, e não era uma ameaça de um joão qualquer. Se fosse um ignorante que quisesse apenas ver me morto, eu estaria morto agora. Mas creio que quem quer que seja, faz uso da inteligência para manter me vivo e com medo, talvez no intuito de atingir um objetivo maior do que a simples queima de arquivo, não é o que sei e sim o que posso saber. Encasquetado, revirei na cama até que o dia amanheceu e pus me novamente a questionar motivos que poderiam levar minha vida a cabo tão cedo, o que estava eu fazendo que pudesse incomodar alguém. Era uma pessoa má e rica com certeza, e cujo anonimato deixa me em situação desfavorável, estou à mercê da surpresa de seus ataques. Incomoda-me muito não encontrar respostas exatas que solucionem de vez o fato.

Unaí muda

"A política... há muito tempo deixou de ser ciência do bom governo e, em vez disso, tornou-se arte da conquista e da conservação do poder."
(Luciano Bianciardi)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

__Cuidado, você não precisa morrer

Passava da meia noite, era um dia normal de quinta feira e a esse momento a cidade estava deserta, surgindo vez por outra os mesmos veículos em velocidade e imprudência extremas que só não causam acidentes mais graves porque a música alta dá conta de avisar aos transeuntes que suas vidas correm perigo e que um louco vem por aí, eu era um transeunte e com os playboys não me preocupava.
Aquela quinta feira, digo de quinta para sexta, estava muito silenciosa, pelo menos no caminho que eu escolhi, era a primeira vez que eu resolvia passar por esse lado da cidade subindo a avenida Governador Valadares e 'quebrando' alí próximo ao estádio municipal numa parte sabida por mim erma.
Naquela quinta feira durante o dia o telefone da casa da minha mãe tocou duas vezes, e nas duas eu atendi o aparelho e uma voz grossa rasgada e ameaçadora:
__Cuidado, você não precisa morrer.
Como qualquer um de vocês pensaria, eu tambem pensei que se tratasse de algum trote de algum amigo com o senso de humor sarcástico, banal, ridículo e imaturo. Não dei bola para os telefonemas ficando mais nervoso com a perca de tempo do que preocupado com a ameaça ou aviso ou sei lá o que fora, sei que me esqueci do acontecido durante o dia todo. Tratei de ocupar-me cedo e só desocupei-me durante às nove da noite, hora em que fui até a prefeitura, não o estábulo mas a praça. Fiquei na praça até pouco mais da meia noite resolvendo ir embora por outro caminho. Inconscientemente, acho, me sentia ameaçado com o telefonema, mas não me lembrava ainda do episódio com importância.
Não me lembrei do telefone até chegar a um ponto escuro e silencioso onde nem os playboys iam tirar onda e não se via carro algum na pista, nem música, nem nada, apenas o silêncio sepulcral mesmo. Alí, comecei a sentir aquele famoso frio da mania de perseguição e pensei no telefonema e imediatamente havia criado uma série de eventos que levariam alguém a me ameaçar. Uns eram estapafúrdios e engraçados, outros impossíveis, mas nenhum havia fundamentação suficiente que justificasse algum torpor por parte de minha tranquilidade.
De repente surgiu do meu lado um carro preto, sedan, vidro escuro, maçanetas prateadas, sem som ligado e de onde na janela atrás do motorista saiu para fora apenas a cabeça e as mãos de um homem careca, cabeçudo, rosto marcado, fala mascada exibindo uma pistola 9mm. Sem apontar para mim a arma, ele olhou nos meus olhos e disse:
__Cuidado, você não precisa morrer.
Em um segundo não havia mais vestígios do veículo a não ser o cheiro da borracha queimada que impregnou aquele instante de reflexão e medo que me dominava.


terça-feira, 31 de agosto de 2010

Quem vai ganhar pra presidente?

Dilma ou Serra.
Essa foi fácil, manda outra.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

FISCALIZAÇÃO CERRADA NO CERRADO

Biiicho em breve, não muito, estaremos inaugurando aqui neste singelo blog uma seção destinada a fiscalizar em tempo real a atuação de vários órgãos públicos da cidade de Unaí. Temos em mente acompanhar durante alguns dias na semana o funcionamento de hospitais, postos de saúde, escolas, centros de referências, creches, asilos e qualquer outro que tenha vínculo com esta prefeitura, estaremos na 'cola' daqueles fucionários públicos mal educados, mal preparados, deslocados no serviço que exerce. Estaremos no 'pé' de gestores descompromissados, despreperados, corruptos que travam o desenvolvimento com qualidade de vida que o unaiense merece. Estaremos de olho nas empresas contratadas para prestar serviços para o município e acompanharemos as obras do início ao fim.
Para tanto preciso de alguns equipamentos em mãos, para registrar tudo, e da ajuda de vocês que devem denunciar qualquer abuso de poder por parte dos entes públicos.
Aguardem e viva a liberdade de inteligência.
Compreendeu, é isso então.

CHACINA CONTRA FISCAIS INPUNIDADE

Apenas acusados intermediários são punidos no Brasil

Matéria publicada pelo Correio Brasiliense em 10/05/2010 às 09:20

A culpa do mordomo sempre foi um final previsível para filmes policialescos de Hollywood, mas, no Brasil, essa máxima chega à Justiça, que tem conseguido punir apenas intermediários de organizações criminosas, a maioria responsável pelo desvio de dinheiro dos cofres públicos. Os exemplos se multiplicam e é possível detectar o tratamento diferenciado em relação aos réus num mesmo processo, como aconteceu com o diretor do cartório da 12ª Vara da Justiça Federal de Minas, Anibal Brasileiro, demitido a bem do serviço público, sob a acusação de participar de um grupo especializado na venda de sentenças, identificado a partir da Operação Pasárgada, em abril de 2008. Funcionário subalterno, Aníbal está na rua. Já o juiz Welinton Militão, um dos cabeças da organização, de acordo com as investigações, trabalha normalmente e sofreu, até agora, apenas um pena de censura, aplicada em novembro passado, pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Não menos preocupante é a situação de Humberto Ribeiro dos Santos, preso sob acusação de envolvimento no assassinato de quatro fiscais do trabalho, em Unaí, no noroeste de Minas, em janeiro de 2004. Humberto, apontado como o homem que apenas tentou destruir uma das provas do crime para beneficiar os pistoleiros ao arrancar a página de registro de hóspede do hotel da cidade, está preso há cinco anos. Enquanto isso: os mandantes, os irmãos Antério e Norberto Mânica, empresários conhecidos como “reis do feijão”, gozam de liberdade com a ajuda de inúmeros recursos impetrados desde a sentença de pronúncia que os mandou a júri popular.

Antério foi ainda mais longe. Mesmo preso à época do crime, se elegeu prefeito e, no ano passado, se reelegeu. Há um ano, o Ministério Público Federal pediu a libertação de Humberto Santos, acusado de favorecimento pessoal e formação de quadrilha, mas até agora a Justiça não decidiu sobre o pedido, perdido na burocracia do Judiciário.

Dois exemplos que se somam a vários outros, como o do megaescândalo do Banestado — remessas ilegais de divisas do sistema financeiro público para o exterior, descoberto na década de 1990 —, no qual foram condenados, até agora, apenas doleiros como Odilon Cândido Bacellar Neto e Altemir Antônio Casteli, detidos em meados de 2003, quando foram presos por fraude com o uso de contas CC-5 mantidas na agência do Banestado de Foz do Iguaçu.

João-de-barro

Do esquema participaram inúmeros servidores e até mesmo parlamentares, denunciados em processo que se arrastam na Justiça brasileira. Além deles, o deputado federal João Magalhães (PMDB-MG) não sofreu qualquer consequência, desde 2006, quando foi acusado de comandar um esquema de venda de emendas parlamentares. Pego na Operação João-de-barro91), Magalhães é alvo de dois inquéritos, mas a denúncia criminal foi apresentada apenas contra prefeitos e servidores federais.

Na esteira da impunidade, outro grande esquema de venda de emenda, o Sanguessugas, ou Máfia das Ambulâncias, descoberto pela PF em 2006, também não foi capaz de punir todos os envolvidos. Dos 33 deputados e ex-deputados indiciados por envolvimento com a máfia das ambulâncias, o ex-deputado federal Cabo Júlio (PMDB-MG), hoje vereador de BH, foi um dos poucos condenados até agora por participação na liberação de emendas para a compra de ambulância. A sentença saiu em agosto do ano passado. Em abril, ele confessou seu envolvimento no esquema por meio do blog que mantém na internet. Apesar disso, brada aos quatro ventos que, de todos os parlamentares envolvidos, apenas ele tem condenação, o que o transformaria em bode expiatório. O ex-deputado alega ser “peixe pequeno” no esquema, por isso teria sido o único punido até agora. Na época das denúncias, também apareceram senadores suspeitos de envolvimento no golpe, mas todos foram absolvidos pelo próprio parlamento.

O advogado Luís Cláudio da Silva Chaves, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Minas Gerais (OAB-MG), diz que o problema de “dois pesos e duas medidas” é gerado pelo próprio Estado brasileiro, que não aparelha a Justiça devidamente com investimentos significativos num dos pilares do Judiciário: a Defensoria Pública. “Todo cidadão tem direito a defesa de qualidade, mas o que ocorre hoje não é isso”, explica. Para Luís Cláudio, o que ser percebe é que os mandantes têm acesso a advogados altamente qualificados, e o mesmo não ocorre com quadros menos importantes na hierarquia do crime.

1 - Fraudes

A maioria dos prefeitos e ex-prefeitos, empresários e construtoras envolvidas na maior operação já feita pela Polícia Federal, a João-de-barro, a partir de investigações do Ministério Público, já sofreu algum tipo de consequência pelo envolvimento nas fraudes. São réus em processos em tramitação na Justiça Federal, alguns desde 2007, ou foram decretados inelegíveis pelo Tribunal de Contas da União (TCU). No caso das empresas, muitas foram declaradas inidôneas e proibidas de contratar com a administração pública.

Avanços tímidos

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil-Seção Minas Gerais (OAB-MG), Luís Cláudio Silva Chaves, garante que, apesar da impunidade, o Brasil já avançou na tentativa de por fim às desigualdades, já que magistrados, advogados e celebridades também têm sido presos, fatos inimagináveis há alguns anos. Mas reconhece que a evolução é “tímida”. Ainda no seu discurso de posse, Luís Cláudio afirmou: “No Brasil, pune-se com rigor o ladrão de galinha, já o gatuno de colarinho branco esconde-se atrás do prestígio que conseguiu com o dinheiro arrancado dos cofres públicos. Ele desvia milhões da saúde, da Previdência, das obras públicas, e ampara-se, em regra, na imunidade do cargo que ocupa. Reside, em regra, longe das favelas, em condomínios de luxo, relaciona-se bem, vende prestígio, seduz com poder ou dinheiro”.

O professor Cornelis Van Stralen, da Universidade Federal de Minas Gerais, também faz questão de destacar que o pais avançou na tentativa de reduzir as desigualdades. “Os problemas antes não eram discutidos ou denunciados. Hoje, a sociedade tem reagido a isso e acaba por forçar o fim das diferenças”, afirma. Entretanto, ele confirma a existência de tratamentos diferenciados para iguais: “As elites sempre acreditaram que punições deveriam ser aplicadas aos outros, o que se reflete na atual estrutura judicial”, conclui. (MCP e AM)

FONTE: Correio Braziliense
Follow aurosergio on Twitter

Faça sua pesquisa